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"Bem adaptados"

 

 

Ferramentas tecnológicas e acesso fácil à internet ajudam a quebrar as fronteiras entre o trabalho e a vida pessoal. Conheça a história de três profissionais que estão sempre conectados ao serviço - e lidam com isso da melhor forma

Já faz tempo que, para muitas pessoas, fechar a porta do escritório não significa encerrar a jornada de trabalho diária. Com a ajuda de aparelhos que facilitam a conexão com o mundo, esse perfil de profissional ficou cada vez mais comum. É o caso de Antônio Ventura, Jack Corrêa e Silvana Monteiro, que raramente se dissociam de suas carreiras. Para eles, a ocupação não pede licença - nem deveria. Todos afirmam gostar muito do que fazem, o que torna essa separação ainda mais difícil.

Doutora em ergonomia da atividade e especialista em qualidade de vida no trabalho, a psicóloga Carla Antloga diz que estar sempre em contato com a atividade profissional não representa necessariamente um prejuízo para a vida pessoal. No entanto, ela chama atenção para a necessidade de pausas durante a rotina produtiva. "É importante que haja tempo para que o indivíduo invista em outros interesses, outras relações." Investimento esse que servirá para um momento futuro, quando talvez a pessoa não estiver mais na ativa. "Aí, o que vai pesar é como a pessoa viveu a vida extraprofissional, quais ligações ela estabeleceu, quais hábitos cultivou", explica.

Para quem pensa que as novas tecnologias impossibilitam a desconexão, a psicóloga recomenda o uso delas apenas para lazer. Vale lembrar que se desligar das reuniões e dos compromissos não é sinal de menor eficácia ou desinteresse pelo que se faz. "Amar a profissão não significa transformá-la em razão de viver", diz Carla. Conheça abaixo três histórias de quem sempre está conectado à rotina de trabalho.

 

O executivo

Jack Corrêa, 59 anos

Quando está a caminho de uma reunião fora de Brasília, Jack Corrêa costuma brincar com o motorista do táxi: "Me dá licença, que vou abrir meu escritório", e saca o celular. O aparelho não sai da rotina do vice-presidente de Assuntos Governamentais da Coca-Cola, que está sempre de olho em seu telefone e seu iPad, para resolver as pendências que chegam por e-mail. "A grande vantagem é poder se adiantar, responder na hora que chega e acelerar demandas que, mais cedo ou mais tarde, vêm parar na minha mesa", afirma.

O executivo diz que, ao chegar em casa, coloca ambos os dispositivos para carregar. "É a melhor desculpa. Eu desligo um pouco, que é necessário, e, mais para o fim da noite, dou uma checadinha no que ficou pendente", conta Jack, que alega ser necessário ter disciplina para não virar escravo do aparelho. "Se você não toma cuidado, ele pode tomar conta da sua vida."

Entretanto, ele garante que o celular e o tablet trazem muito mais vantagens do que desvantagens. "Certa vez, quando estava na porta do avião, recebi uma ligação falando que a reunião para a qual estava indo havia sido cancelada. Me poupou tempo e dinheiro", conta o executivo. Ele diz que não se imaginaria trabalhando sem essas novas tecnologias. "Às vezes, a gente se pergunta como trabalhávamos sem essas ferramentas. Elas se adaptaram na nossa vida de uma forma que parece inconcebível viver sem isso."

 

O empreendedor

Antônio Ventura, 28 anos

De domingo a domingo, Antônio Ventura e os dois funcionários de sua empresa, a E.ai, criam conteúdo em redes sociais para lojas, bares e restaurantes da cidade. Mesmo quando faz algo que poucos relacionariam com um expediente normal, como ir a um restaurante, ele procura oportunidades de negócio. "Hoje, por exemplo, antes de almoçar, passei em uma lanchonete e ofereci os serviços de marketing da minha empresa para o dono do estabelecimento. Saí de lá com uma reunião marcada", contou o empresário.

Às vezes, Antônio diz que é obrigado a se desligar do trabalho por depender de empresas que não funcionam em fins de semana ou horários de almoço, por exemplo. "Um probleminha é os outros não responderem você. Daí, muitas vezes, acabo tirando uma folga", afirma.

Ele nunca se desliga, pois acredita que qualquer hora traz uma oportunidade nova. "Quando fiz um curso de coaching, meu professor falou que um empresário de sucesso dividia seu tempo. Hora de trabalhar é hora de trabalhar, hora de sair é hora de sair. Nunca concordei com o que ele falou.

Sempre achei que você pode "trabalhar" em qualquer hora.

Se eu for ao cinema, posso conhecer lá alguém que no futuro pode ser meu cliente", exemplifica o empresário.

 

A gerente

Silvana Monteiro, 35 anos

Para a baiana Silvana Monteiro, o cargo na gerência de marketing de um shopping da cidade é uma experiência tão nova quanto morar em Brasília. "Estou me adaptando aqui, então no início você tem uma demanda maior", conta. O dia a dia de Silvana envolve planejar as campanhas, promoções e eventos do shopping, além de cuidar do atendimento a lojistas, clientes e equipes que ficam na recepção, no SAC e no fraldário.

Ela gerencia diretamente uma equipe com quatro pessoas e trabalha com outras duas na área comercial. Segundo a gerente, a rotina de enviar e-mails após o expediente é consequência do enorme volume de trabalho. "Se vou para uma reunião, sei que vou receber pelo menos 200 e-mails. E, se eu deixar para resolver tudo no dia seguinte, serão mil mensagens não lidas."

Entretanto, ela cuida para não deixar o trabalho tomar conta da vida pessoal. Procura separar, durante o tempo livre, um momento para dar atenção ao filho, de 3 anos, e à família. "É um horário sagrado", conta a gerente.

Mas Silvana admite que, em urgências, precisa solucionar um problema do serviço. "Eu tento, na medida do possível, resolver as pendências imprescindíveis. Se você se permitir, acaba entrando na loucura do trabalho."

Fonte: Correio Braziliense

http://www.relacoesdotrabalho.com.br/profiles/blogs/no-correio-braziliense-bem-adaptados

 


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