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Brasileiro acha que é responsável pela sua capacitação

 

Vinicius Oliveira

 

 

O Brasil é único país, em um grupo de 32, no qual os colaboradores acreditam ser sua a responsabilidade de preencher as lacunas entre as competências e as exigências para realizar o trabalho. Nas demais nações, as pessoas acreditam que esse papel cabe às empresas. Os brasileiros também se sentem inseguros na hora de mudar de emprego. Esses são alguns dos resultados do estudo “Skills shortage incl. quarterly mobility, confidence & job satisfaction” (Escassez de habilidades – relatório trimestral de mobilidade, confiança e satisfação no trabalho) divulgado recentemente pela Randstad, multinacional holandesa da área de Recursos Humanos, que comparou as competências dos trabalhadores e suas percepções sobre as exigências feitas pelas empresas hoje e no futuro. “Entrevistamos profissionais de mais de 30 países e os brasileiros foram os únicos que puxaram para si a responsabilidade de capacitação para atender as exigências da empresa”, diz Vivian Dib, diretora da Randstad.

 

Os dados brasileiros revelam também que 93% dos colaboradores sentem que as empresas fazem mais exigências sobre as competências dos funcionários do que há cinco anos. O porcentual é ligeiramente superior à média mundial (86%) e se equipara com os valores registrados na China (94%), Malásia (93%) e Espanha (91%).

 

Segundo os especialistas, a capacitação deve ser compartilhada entre o profissional e a empresa. Do ponto de vista técnico, é papel da companhia preparar o profissional para a realização de tarefas diretamente ligadas a função que ele executa. Quando o assunto é o desenvolvimento de competências e habilidades, como falar bem em público ou a capacidade de relacionar de forma positiva com colegas e subordinados, a iniciativa do indivíduo é primordial. “A empresa pode apoiar o colaborador no desenvolvimento dessas competências, mas cabe ao indivíduo a responsabilidade de melhorar esses aspectos”, diz Diogo Zanata, professor do Departamento de Gestão de Pessoas do ISE Business School.

 

Para Zanata, o fato dos brasileiros considerarem que cabe a ele se capacitar para estar à altura das exigências das empresas pode ser explicado pela situação do mercado de trabalho no passado -poucas vagas e abundância de mão de obra. “Essa conjuntura levava os profissionais a se capacitarem o máximo possível para se destacar. Às empresas cabia apenas o papel de escolher os melhores.”

 

A postura das empresas de procurar profissionais “prontos” em seus processos seletivos devido a grande oferta de mão de obra foi reforçada pela falta de comprometimento dos trabalhadores. “No Brasil, a chance de um colaborador aceitar uma proposta para mudar de emprego é muito grande. Esse risco inibe o investimento em capacitação por parte das empresas”, diz Jonas Kafka, diretor de Negócios da Holden Recruiting Talents, especializada em recrutamento e seleção.

 

Além de se cobrarem mais com relação à sua capacitação, os brasileiros também se sentem muito inseguros na hora de mudar de emprego. Para Vivian, esse sentimento é resultado da falta de suporte aos trabalhadores por parte do governo. “O Brasil não possui políticas sociais eficientes de apoio ao trabalhador desocupado. Com isso, todos se tornam muito dependentes do emprego, o que transforma em grande risco qualquer sinalização de mudança.”

 

Apesar dos resultados da pesquisa realizada pela Randstad apontarem que os trabalhadores europeus se sentem mais seguros do que os brasileiros na hora trocar de emprego, Vivian avalia que, em função da conjuntura econômica a confiança dos trabalhadores da Europa pode diminuir nas próximas edições do estudo. “O que sabemos é que, culturalmente, esses países têm o habito de fornecer suporte e capacitação aos trabalhadores. Porém, em momentos de crise as empresas e os governos tendem a tomar posturas mais conservadoras, muitas vezes cortando gastos.

 

Fonte: Canal RH

http://www.canalrh.com.br/Mundos/gestaocarreira_artigo.asp?o={3C568E7E-016C-453C-8A80-4358CC141B20}


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