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Gestão na Copa

 

Joana Vianna

 

 

 

No Brasil, afirmar que somos apaixonados pela Copa do Mundo é quase um eufemismo, afinal somos a ‘casa do futebol’’. Em ano de Copa do Mundo, as escolas interrompem as atividades e os empregados ganham a tarde livre a cada jogo da seleção do Brasil. Isso não é nenhuma novidade – tem sido assim desde a época em que acompanhávamos os jogos da nossa seleção em TV em preto e branco ou no rádio.

 

E, como vocês bem sabem, esse ano é um pouquinho especial. Nesse ano, somos os anfitriões do evento. Nas cidades que sediarão os “grandes” jogos, como o da abertura e o do encerramento, nada e ninguém irá trabalhar. É claro que algumas indústrias, como de alimentos e bebidas, estarão 100% focadas comercialmente no evento; no entanto, para a grande maioria, os níveis de fixação da Copa do Mundo superarão qualquer expectativa – escolas fechadas o dia inteiro, bancos funcionando apenas até o meio dia e muitas empresas concedendo dias inteiros de folga.

 

Sim, a febre da Copa do Mundo chegou para ficar. A partir da publicação do Hay Group, Leadership 2030, aprendemos que uma das mais crescentes tendências no mercado é a individualização – as organizações precisam perceber seus empregados como indivíduos e, com isso, encontrar maneiras de trabalho que se adequem a ele.

 

Em qualquer ano de Copa do Mundo, é comum que o empregado tenha a expectativa de alguma flexibilidade de horário para possibilitar o acompanhamento das partidas, e suspeito que isso não seja diferente em outros países mundo afora.

 

Como as organizações podem manter seus empregados engajados, clientes felizes e o negócio em andamento?

 

Bem, em épocas de ruptura e mudanças, tratando-se tanto de eventos esportivos renomados como de uma grande restruturação organizacional, os ingredientes básicos para engajamento dos empregados ainda se aplicam:

 

·         Comunicação e clareza: uma comunicação sólida ajuda os empregados a entenderem claramente o contexto organizacional de qualquer mudança ou decisão e permite que entendam seu impacto individual.

 

·         Accountability e responsabilização: Um indivíduo engajado, que entende os limites e expectativas da empresa, é muito mais propenso a se preparar para um tempo livre informando ao cliente sua disponibilidade ou discutindo possibilidades de turno com seu gestor. O que ocorre antes e depois dos jogos é o verdadeiro teste de engajamento.

 

·         Liderança confiável: os empregados irão operar no clima que a liderança estabelecer. Se as pausas para assistir aos jogos ou eventos são bem planejadas e os líderes demonstram comportamentos que eles mesmos esperam, então o caos no fluxo de trabalho pode ser evitado.

 

 

Equipes dentro e fora do campo


Talvez existam mais benefícios em termos de negócios ao assistir a eventos esportivos como a Copa do Mundo do que imaginamos. Inclusive, existem comparações entre o que acontece em um campo de futebol e a efetividade organizacional, tanto em equipes quanto individualmente.

 

Em termos de desempenho, um time de futebol bem-sucedido é altamente engajado. Cada seleção empregará esforço discricionário, motivação e defenderá sua equipe como a melhor.

 

As melhores equipes também apresentam alto suporte. Elas se estruturam da maneira ideal (seja 4-4-2 ou similar), tem a liderança adequada e todos acreditam que não existem barreiras para seu sucesso.

 

Se cada equipe em cada organização chegasse ao seu trabalho diariamente tão engajada quanto sua própria seleção de futebol nacional, acredito que a produtividade dobraria da noite para o dia.

 

Os nossos líderes podem aprender muito com a forma como os times de futebol são organizados:

 

·         Incentivo à cooperação e colaboração em toda a empresa.

·         Estabelecimento de treinamentos regulares.

·         Feedbacks claros e regulares.

·         Conceder reconhecimento quando necessário. Sem os aplausos dos fãs, os jogadores continuarão se esforçando para serem os melhores?

 

E a Copa do Mundo vai para...


Há também lições para pensarmos nos empregados. Haverá apenas uma equipe vencedora, e, como no ambiente de trabalho, pode ser que não seja sempre a sua equipe.

 

Sucesso a longo prazo exige um alto nível de desempenho sustentável. Entender por que, como colaborador individual, você não atingiu as suas metas (ou fez aquele pênalti aos 45 do segundo tempo) é tão importante para o seu desenvolvimento futuro como vencer logo na primeira vez.

 

A Copa do Mundo nos mostra que todo mundo, em algum momento de sua carreira, tem a sua chance de brilhar sob os holofotes. Seja você o Lionel Messi, Neymar, Pelé ou o próximo grande assistente administrativo.

 

Você precisa conhecer o seu momento. Ouça a multidão gritar, respire fundo, ouça o apito… e chute pro gol.

 

Fonte: ABRH – Associação Brasileira de Recursos Humanos

http://www.abrhnacional.org.br/component/content/article/2128-gestao-na-copa.html


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