Durante alguns anos trabalhei em uma empresa cuja rotina era pautada por diversas reuniões, que lotavam salas de pessoas que nem sempre iam contribuir e que facilmente se estendiam por horas e horas. Em oitenta por cento das vezes os participantes saíram delas perdidos, entediados, com raiva, olhando para a cara do outro sem entender direito o que seria feito a partir dali e para resolver algo seria necessário fazer mais reuniões. O organizador da reunião geralmente saiu dela se sentindo importante por ter prendido tanta gente por tantas horas, mas muitas vezes foi alvo de críticas sem ao menos desconfiar disso.

Quem é que nunca precisou, além de lidar com a improdutividade das reuniões longas, aguentar sujeitinhos teatrais que usavam reuniões para se mostrar, se promover e direcionar todo o foco para si mesmo enquanto trabalhava palavras como ninguém? Tem ainda aqueles que se julgam importantes baseado no número de reuniões das quais participam, parece que quanto mais inacessível forem, melhor.

Pare também de acreditar que apenas uma imensa quantidade de horas trabalhadas ou dedicadas a algo é sinônimo de trabalho bem feito.

Quantas vezes você já recebeu um e-mail com convite para reunião que copiava Deus e o mundo e notou que ali estava cheio de gente que não ia resolver nada ou percebeu que quanto mais gente, mais chance de dar errado? Reuniões precisam ser reinventadas, não podem mais ser apenas palcos de egos. Steve Jobs chegava a expulsar de reuniões quem não era interessante naquele momento, quem não acrescentaria nada.

Não adianta reclamar se você mesmo replica esse comportamento. Pare de passar adiante clichês, marque você uma reunião de 15 minutos e surpreenda pessoas. Converse em pé com elas, varie ambientes, anote os pontos importantes e saia dela com um plano de ação e papeis definidos.

No Scrum (para desenvolvimento ágil de projetos) são feitas reuniões diárias para alinhar e remover impedimentos. Elas duram só 15 minutos e todos ficam em pé.

A cultura da reunião está ligada a um enorme conjunto de coisas que não fazem sentido, mas que ainda são cobradas. Parece que só trabalha e merece crescer na empresa aquele que frequentemente é visto com cara de ocupado depois do horário comercial, fazendo hora extra. A verdade, desculpe revelar, é que muitas vezes não passa de teatro ou de falta de organização e produtividade, mas infelizmente muitos ainda acreditam que aquele ali sim é merecedor, afinal, olha só, "o João está aqui até esse horário ainda"! Talvez o João não seja tão bom quanto o José, que ficou menos tempo, mas resolveu.

Neste conjunto também entra, sinto informar, o modelo CLT. Prende-se alguém por 40h semanais em uma empresa, só que nem sempre existe demanda para todo esse tempo e ninguém produz 8h exatas por dia (pode considerar, em média, 6h30, porque as pessoas levantam, tomam café, conversam, vão ao banheiro...). Assim, vemos que o futuro do trabalho poderá estar cada vez mais baseado em modelos diferentes, por projetos ou horas trabalhadas de fato.

A cultura da quantidade valoriza ainda o número de artigos científicos que um pesquisador publica. No Brasil, infelizmente o que conta é a quantidade e não a qualidade e aí vemos maquininhas de escrever vivendo a neura da produção em série. Faz sentido continuar assim?

Palestras também costumam ser avaliadas dessa forma, parece que somente aquele capaz de enrolar durante uma hora, no mínimo, é merecedor de atenção. Chris Anderson, no livro TED Talks, desvenda os bastidores das palestras de sucesso que impactam e ele nos conta que as do TED costumam ter 18 minutos. É o tempo suficiente para engajar, prender a atenção, contar algo de forma sucinta e focada e não cansar a plateia. Além disso, outro clichê que preciso citar é sobre pessoas que gastam 5 a 10 minutos lendo seus currículos e se gabando antes de começar a palestrar. Isso é chato, muito chato. Tão chato que deixei de fazer em minhas palestras. Eu apenas entro no palco e começo a contar uma história relacionada ao assunto, imagino que quem foi ali me ver sabe minimamente quem sou ou que se gostar muito de mim vai procurar informações sobre mim. Ainda assim lembro que não será o fato de eu ter tal titulação que me fará melhor, às vezes o cara incrível não fez nem o ensino médio.

E-mails antiquados ainda reinam em nossa caixa de emails. Mensagens enroladas, rebuscadas e desorganizadas, com introduções do tipo "venho por meio desta". Simplifique, vá direto ao ponto. Diga o assunto no título, deixe claro o que será discutido ou qual a dúvida e antes pergunte-se se vale a pena o email ou se falar ao vivo seria melhor e mais rápido.

Pare de fazer reuniões demoradas, de valorizar apenas o que demora-o em seu dia a dia. O melhor pode estar no menos ;)