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Prepare-se para tudo, inclusive para momentos de crise

 

Patrícia Bispo

 

 

Todos os dias os canais de comunicação noticiam informações que caem como um ‘balde de água gelada’ sobre os brasileiros: a crise econômica apresenta índices cada vez mais preocupantes; o desemprego aumenta; os protestos comprometem a rotina das pessoas que precisam transitar pelas principais vias das cidades. Enfim, há momentos em que dá vontade de "ficar alheio" a tanto noticiário negativo. Isso resolve os problemas da nossa sociedade? De forma alguma! Tentar "tapar o sol com a peneira", apenas nos levará ao caminho da alienação temporária, porque a realidade continuará a acontecer. Então, como agir para não cair no desespero, se controlar diante da crise e tampouco se contagiar pela procrastinação? Para a coach Cintia Souza e sócia da empresa MMP Coaching, no mundo corporativo, o primeiro passo para enfrentar a crise é aprender a superar esse efeito "contagiante" do medo da crise. Outro ponto para driblar o negativismo do dia a dia é filtrar as informações que chegam até você, as consequências de você alimentar ou dar atenção demais às informações que nada te agregam é a desmotivação.


"Por isso, foque apenas no que é importante para você e no seu trabalho neste momento. Esteja 100% focado e consciente no momento de tomar uma decisão para que ela seja assertiva. Invista nas suas habilidades, explore-as ao máximo, talvez até o momento você não tenha utilizado alguma por nunca ter passado uma situação como essa, e ao invés de olhar a crise de maneira negativa, encare como uma oportunidade para você mostrar um talento seu que até hoje estava oculto", defende Cintia Souza. Em entrevista concedida ao RH.com.br, ela dá ótimas orientações de como se "defender" desse delicado momento da realidade brasileira. Confira a entrevista na íntegra e se proteja você também da "crise". Tenha uma agradável leitura!

 


RH.com.br - Vivenciamos um momento peculiar que leva as pessoas a se reportarem, quase que diariamente a uma palavra: "crise". Esse sentimento negativo tornou contagiante e precisa ser controlado pelos profissionais? 
Cintia Souza - Temos o instinto primitivo de disseminar o medo. Na época de nossos ancestrais, se o perigo rondava, uma pessoa avisava a outra, que falava para a outra, até que todo o clã fosse informado. Hoje, a tecnologia aliada a esse instinto primitivo, faz com que o medo da crise se torne um fenômeno viral. Nem tudo que é disseminado se baseia 100% na realidade. Quem nunca recebeu mensagens nos alertando sobre seringas encontradas nas poltronas dos cinemas, sobre o perigo de desenvolvermos câncer por causa dos hormônios artificias presentes no frango ou sobre as novas estratégias dos bandidos para nos enganar? Não estou dizendo aqui que não exista uma crise, mas será mesmo que tudo que escutamos condiz com a total realidade? Se assim o fosse, então, por que não temos um país 100% paralisado e em estado calamitoso? Se fosse 100% de verdade tudo que escutamos, então como explicar empresas que estão tirando proveito da "crise" e faturando o dobro que não faturaram antes da crise?

 

RH - Como o nosso cérebro reage a tudo isso?
Cintia Souza - Nosso cérebro prefere a previsibilidade, a certeza e o controle. Quando as coisas parecem incertas e você não sabe o que acontecerá em seguida, seu cérebro tenta chegar a uma conclusão. Ele escreve sua própria narrativa. Mas existem dois problemas aí. O primeiro é que essa narrativa geralmente é imprecisa. O segundo é que, na maioria das vezes, ela é negativa. E são justamente os pensamentos negativos que criam situações de ansiedade e de incerteza, e é justamente por isso que os profissionais precisam filtrar esses sentimentos negativos, para que não fiquem paralisados e com isso, gerem mais situações de incerteza e ansiedade, que só prejudicarão seu rendimento e o resultado profissional. A tendência negativa influencia a maneira como vemos o futuro. Por causa dela, somos inclinados a prever o desastre, a tristeza, a destruição e o fracasso. E isso gera o medo que nos paralisa.

 

RH - Como não se abater, principalmente no campo profissional mesmo quando vários indicadores demonstram que o mercado encontra-se numa fase de instabilidade?
Cintia Souza - No mundo corporativo, o primeiro passo para enfrentar a crise é aprender a superar esse efeito "contagiante" do medo da crise. Outro ponto para driblar o negativismo do dia a dia é filtrar as informações que chegam até você, as consequências de você alimentar ou dar atenção demais às informações que nada te agregam é a desmotivação. Por isso, foque apenas no que é importante para você e no seu trabalho neste momento. Esteja 100% focado e consciente no momento de tomar uma decisão para que ela seja assertiva. Invista nas suas habilidades, explore-as ao máximo, talvez até o momento você não tenha utilizado alguma por nunca ter passado uma situação como essa, e ao invés de olhar a crise de maneira negativa, encare como uma oportunidade para você mostrar um talento seu que até hoje estava oculto. É necessário, ainda, se proteger das principais fontes que espalham este temor e talvez o mais importante, aprender a lidar com as pessoas que chamo de "alarmistas", que são aquelas que disseminam o medo, reforçam a negatividade de uma situação, focam apenas no problema e não na solução. São pessoas que consciente ou inconscientemente alimentam a negatividade. Às vezes, é difícil detectá-los porque nos acostumamos tanto a eles que acabamos aceitando-os como são. Como coach, eu sirvo de oposição ao alarmista. Enquanto eles tentam convencer os profissionais a terem medo da crise e a realizarem pouco, eu tento convencê-los a não temer e a fazer mais da sua vida profissional e pessoal.

 

RH - E como podemos identificar essas pessoas "alarmistas"?
Cintia Souza - Você pode identificar os "alarmistas" respondendo a algumas das seguintes perguntas em relação a uma determinada pessoa que você julgue ser um deles: a pessoa é pessimista? A pessoa é infeliz na carreira e nos relacionamentos? Antes da "crise" a pessoa já reclamava do salário, do preço da gasolina e do noticiário? Você se sente cansado depois de passar algum tempo com ela? A pessoa menospreza seus objetivos? A pessoa tem uma mentalidade de vítima? Se ao pensar em uma determinada pessoa, você respondeu "sim" para ao menos três perguntas, então provavelmente ela é uma pessoa alarmista e não te ajudará em nada nesta fase em que o país se encontra e menos ainda a realizar seus objetivos.

 

RH - E quando a pessoa depara-se com outros profissionais que se encontram em um estado de procrastinação frente à crise. Como agir diante dessas pessoas? 
Cintia Souza - Apenas respeite. Você não tem influência alguma sobre a atitude do outro, apenas sobre a sua. O fato de o outro procrastinar não indica que você deva fazer o mesmo, a menos que você queira. Não se deixe influenciar por pessoas que são alarmistas. Você é a média das cinco pessoas com quem você anda. Se você não está performando o seu melhor, talvez esteja na hora de refletir sobre as pessoas que estão ao seu redor. Se o resultado do seu trabalho está sendo impactado negativamente frente à procrastinação do outro, então tente primeiramente ter uma conversa aberta e sincera com a pessoa em questão. Sem querer agredir, tente apenas compreender o que pode estar fazendo o outro procrastinar e diga o quanto isto também está sendo difícil para você, mas que juntos vocês conseguirão superar. E deixe claro que o seu trabalho está sendo impactado negativamente pela procrastinação dele. Se mesmo após esta conversa a pessoa não mudar, certamente a liderança da empresa ficará sabendo que algo não está saindo como deveria ser. E se em algum momento você for questionado, não precisa citar nomes, apenas diga que seu trabalho está sendo comprometido porque alguns processos não estão sendo executados da maneira como você precisa.

 

RH - O planejamento pode ser um forte aliado do profissional nesse momento? 
Cintia Souza - Não é possível apontar uma única solução para enfrentar as crises, mas sabemos bem que quem estiver melhor preparado, terá excelentes condições de superá-la. Um bom planejamento aliado ao investimento na capacitação pode contribuir positivamente. Os mais habilidosos, conseguem garantir resultados significativos quando traçam planos estratégicos para as suas aptidões. Em resumo, aproveite o tempo ruim para aprimorar suas habilidades, se você não é tão bom em comunicação, busque melhorar. Se possuir dificuldades em gerenciar equipes, busque ferramentas que te auxiliem. O importante aqui é ser versátil e investir no autoconhecimento, conhecendo seus limites, você não corre o risco de ser pego de surpresa em uma determinada situação, pois já terá se precavido e desenvolvido a aptidão necessária para tal. Uma boa maneira para estruturar seu planejamento é verificar, quais aptidões são mais exigidas dentro da sua área de atuação. Feito isto, verifique se você as possui ou não, e se sim, se o seu grau de desenvoltura com esta aptidão atende a necessidade da empresa. Caso não, busque aprimorar-se, haja premeditadamente. Além disso, você pode buscar ser mais participativo e mais predisposto para colaborar em setores similares ao seu. Não estou dizendo para "se intrometer", mas em épocas assim, as empresas buscam seguranças, e quem puder colaborar neste sentido com alguma ideia ou solução que não necessite de gastos extras para tal, será visto com muito bons olhos.

 

RH - A inovação tem sido considerada fundamental para superar a crise. A senhora concorda? 
Cintia Souza - Utilizar a inovação tecnológica como arma para a crise, pode ajudar sim, mesmo em um cenário adverso. O mundo corporativo é dinâmico e quem não se atualiza constantemente fica pra trás. Os gestores devem focar no que realmente importa: gestão, seja de pessoas, seja de processos, e isso feito de maneira, eficiente, rápida e preferencialmente em tempo real. É preciso racionalizar processos, reduzir custos, entender o mercado e oferecer valor agregado aos clientes. Quando falo em redução de custos, não digo demitir funcionários - a menos que não tenha outra saída -, esta não é a melhor solução. O importante é cortar custos desnecessários e que fazem diferença. Além disso, os profissionais devem aprender a pensar fora da caixinha, manter o otimismo em mente e usar e abusar das ideias que vierem na cabeça. Além da inovação e da criatividade, a eficácia, a liderança e a motivação são caraterísticas fundamentais e que fazem a diferença em tempos de crise. Devemos acompanhar a evolução mercadológica, quem não o fizer, ficará para trás. Mesmo que isso não seja do seu agrado, você não precisa se tornar um "high tech", precisa apenas, não se deixar ser engolido pela nova geração que já chega navegando na internet. Para tudo deve existir um equilíbrio, nada demais ou de menos é bom, alinhar os seus conhecimentos juntamente com as vantagens da inovação, podem fazer uma grande diferença na sua carreira.

 

RH - Fortalecer as redes de relacionamento pode ser outro aliado importante para enfrentar a crise?
Cintia Souza - Sim, pois a troca de informação é sempre o melhor caminho para achar uma solução. Não existe uma regra única de como superar a crise. Se você puder ouvir seus parceiros, clientes, amigos, líderes, certamente cada um terá algo de valor para lhe agregar e isso fará com que a sua visão seja ampliada para determinadas coisas que talvez você se quer esteja pensando. Compreender como outras empresas vêm reagindo a este momento, as ações que elas vêm tomando, como outros profissionais vêm se comportando neste momento, pode ser muito útil. Claro que é importante saber filtrar o que realmente irá lhe fortalecer e agregar, pois caso contrário só poderá lhe prejudicar ainda mais. Porém, tenha em mente que cada um tem uma maneira única de se portar diante das dificuldades e você deve ter a sua. Compreender o que te fortalece ou o que te enfraquece é essencial, para que você tenha subsídios para tomar decisões assertivas.

 

RH - Então, buscar informações sobre o mercado e sobre a área de atuação também faz o diferencial?
Cintia Souza - Certamente. E isto não é uma regra apenas para momentos de crise, deveria ser utilizada a todo o momento. No final das contas, o que vale é a informação. Se você conhece bem o seu mercado com todas as suas peculiaridades, você acaba se tornando um especialista no assunto, e aqui, nem sempre uma faculdade ou MBA consegue te garantir isso. Estou falando de realmente explorar, compreender e conhecer tudo que envolve seu mercado e sua área de atuação. Dentro do seu mercado, quais as atribuições que você possui que podem ser mais exploradas e que te garantirá resultados diferenciados dos demais? O que fará realmente a diferença é o que você sabe e como você aproveita o que sabe. Por isso, o autoconhecimento e o aprimoramento contínuo são fundamentais para você se manter sempre em evidência e alcançar o sucesso profissional.

 

RH - A busca constante pelo desenvolvimento de competências comportamentais é um diferencial de valor para quem deseja manter-se firme nessa delicada fase do cenário nacional?
Cintia Souza - Sim. O autoconhecimento apesar de pouco explorado é uma das melhores ferramentas para qualquer pessoa em qualquer área da sua vida. Quando você é realista com tudo que tem de qualidade ou com tudo que precisa melhorar, você tem nas mãos a possibilidade de se tornar diariamente uma pessoa melhor. Se por acaso você é alguém que precisa ter mais controle e equilíbrio emocional, e antes da crise, você já sabe disto e vem buscando melhorar isto em você, certamente agora, você estará bem mais preparado para enfrentar essa situação e não se deixará abater tão fácil. Não é fácil reconhecermos sozinho onde precisamos melhorar, pois muitas vezes o nosso ego fala mais alto, mas quando esta busca pelo autoconhecimento é feita por um profissional capacitado, o impacto dessas descobertas na vida da pessoa pode fazer toda a diferença. Se você descobre que é uma pessoa insegura, tem a possibilidade de descobrir o que lhe causa a insegurança e simplesmente descartar isso da sua vida para se tornar uma pessoa mais forte. Para os pontos positivos também vale o mesmo. Se você é uma pessoa proativa, executora, pode explorar essas suas habilidades principalmente nos momentos em que o seu trabalho lhe exigir isso. Desenvolver suas competências deveria ser uma prática continua. Não existe nenhum hábito que você não possa incorporar na sua vida se assim o desejar. Hábito se consegue através do conhecimento, da prática e da repetição, basta antes de tudo que você se determine a desenvolvê-lo.

 

RH - Que orientações a senhora daria para quem está prestes a "entregar os pontos", diante frente a essa instabilidade do mercado?
Cintia Souza - Reflita. Será mesmo que esta é a primeira "crise" que você enfrenta? Mesmo que não tenha vivido ainda uma crise profissional, e na sua vida particular, será que nunca vivenciou momentos difíceis no qual exigiu um pouco mais de você e que você superou? Onde está essa pessoa? Se você for o primeiro a admitir que "não conseguirá" como você acha que as pessoas te enxergarão? Que tal pensar que este é um momento de oportunidade para você fazer uma análise de onde pode melhorar, do que precisa ser feito de uma maneira diferente? E se ao invés de se lamentar, você fosse grato por ter a oportunidade de fazer algo novo nunca feito antes? Crise é uma questão de ponto de vista, pois se fosse catastrófica como todos estão dizendo, estaríamos neste momento na miséria. A maneira como você enxerga a situação irá determinar a forma como você reagirá a ela. Se você enxergar realmente como uma crise, então você agirá como mais uma "vítima" dessa situação, mas se você condicionar seu cérebro e enxergar a "crise" como uma oportunidade de crescimento, de inovar, de ser diferente, de pensar fora da caixa, então você agirá desta maneira e certamente dará a volta por cima e será lembrado como alguém, que mesmo em momentos difíceis foi capaz de se manter de pé e seguir em frente. Quando este momento passar, pense em como você quer ser lembrado. Como mais um que se deixou abater, ou como alguém que fez a diferença?

 

Fonte: Rh.com.br

http://www.rh.com.br/Portal/Mudanca/Entrevista/10265/prepare-se-para-tudo-inclusive-para-os-momentos-de-crise.html#

 


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