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Troca de emprego bate recorde

 

 

O número de pessoas que pediram a conta nos últimos três anos cresceu 72%. Mais de um terço das demissões no mês passado foram espontâneas.

 

 

O brasileiro nunca trocou tanto de emprego. O mercado de trabalho ainda aquecido e a disputa das empresas por mão de obra fizeram os pedidos de demissões no Brasil atingirem o maior nível da história. O número de trabalhadores que pediram a conta nos últimos três anos cresceu 72% e bateu, em julho, o recorde de 487,1 mil pessoas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Emprego e Trabalho (MTE). Mais de um terço das demissões no mercado de trabalho brasileiro no mês passado foram espontâneas, o maior nível desde o início da série em 2003. No Paraná, esse índice atingiu quase 37%.

 

Esse movimento é mais forte nos setores com mais escassez de mão de obra – como construção civil, comércio e serviços – e em cargos de menor qualificação, mas mesmo em cargos executivos a rotatividade está maior.

 

 

Com o desemprego em nível historicamente baixo, tudo indica que o empregado está mais confiante em trocar de trabalho, mesmo com o fraco desempenho da economia neste ano. Uma pesquisa ainda inédita da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) e à qual a Gazeta do Povo teve acesso mostra que no ano passado 49% das vagas no Paraná trocaram de dono. O número, apurado com 235 empresas, cresceu em todos os setores, da construção civil ao setor de varejo, passando por segmentos como alimentos, hospitais, educação e papel e celulose. “Desse porcentual, 17% foram pedidos de demissão do próprio empregado”, diz Dorian Bachmann, sócio e diretor da Bachmann Associados, que elaborou o levantamento.

 

A rotatividade também ajudou a inflacionar os salários de gerentes e executivos, que subiram em média 30% nos últimos dois anos, segundo Mariciane Gemin, diretora de grandes eventos da ABRH.

 

“Chegamos a ter profissionais que estavam participando de seis, sete processos. Esses salários, obviamente, foram para as alturas, com valorização média de 15% a 20% ao ano”, lembra Augusto Puliti, diretor-executivo da empresa de recrutamento Michael Page no Brasil. Essa tendência diminuiu em 2012, mas ainda há forte movimentação. “No primeiro semestre a indústria foi bem conservadora nas contratações, mas o segundo semestre começou bem”, diz.

 

Tradicionalmente, quando a economia cresce as empresas tendem a demitir menos. Os empregados, por sua vez, se movimentam mais porque há maior oferta de vagas e, com isso, geram maior número de demissões voluntárias. Em tempos de crise, como a que ocorreu no fim de 2008 e 2009, por exemplo, a rotatividade caiu.

O Brasil vive hoje um fenômeno típico de países emergentes, em que a rotatividade e o ritmo de geração de vagas é puxado pelo crescimento da economia, pela instalação de empresas estrangeiras e pela busca de novas tecnologias. “Esse movimento puxa a rotatividade para cima, o que não vemos em economias como a europeia e a japonesa”, diz Cesar Rego, gerente da Hays para a Região Sul.

 

Segundo ele, esse cenário fez com que a retenção virasse um assunto em pauta para as empresas. Além de aumentar custos com treinamento e capacitação, a rotatividade, pode, no médio prazo, provocar perda de competitividade. “Há uma perda de know-how. Se um funcionário sai quando começaria a dar resultados para a empresa, ela terá de começar o processo todo do início novamente” diz.

 

Será que é hora de mudar de empresa?

 

Com o crescimento menor da economia em 2012, a tendência é que o troca-troca do mercado de trabalho diminua, mas boas oportunidades surjam em atividades como infraestrutura, bens de consumo, tecnologia, indústria de base, metalmecânica e construção ligada à infraestrutura, de acordo com as empresas de recrutamento ouvidas pela Gazeta do Povo. Outros setores, como o mercado imobiliário, bancário e automotivo, tendem a crescer em ritmo mais comedido.

 

“O recrutamento segue o andar da economia. Os setores que dependem mais de crédito, como o automotivo e o imobiliário, ou que estão sendo afetados pela queda dos juros e a inadimplência, como o bancário, serão mais comedidos”, diz Cesar Rego, diretor para a Região Sul da Hays.

 

No mercado imobiliário, por exemplo, a dança das cadeiras está menor, segundo Armando Bosco Martins Ribeiro, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) para a área de políticas e relações de trabalho no Paraná. “Hoje não há mais escassez de mão de obra no setor”, afirma.

 

Calma

Embora hoje seja praticamente consenso que é muito mais rápido alavancar a carreira em áreas gerenciais trocando de emprego que na organização em que se encontra, algumas questões precisam ser levadas em consideração.

 

A primeira delas é o tempo. “Trocar de emprego a cada dois anos, como muita gente vem fazendo, não é o ideal, porque provavelmente a pessoa não conseguirá concluir todo o projeto, ou seja, seu histórico fica inconsistente. Se quer trocar de emprego, um tempo indicado é cinco anos” diz Mariciani Gemin, diretora da Asap no Paraná.

 

O segundo passo é avaliar a atual função. Ficar muitos anos na mesma empresa e no mesmo cargo pode significar acomodação, falta de ambição ou medo de desafios e, nesse caso, uma mudança é bem-vinda. Mas se tem ocupado funções diferentes, desafiadoras, que permitem aprendizado constante, esse pode não ser o caso. “Se você não está em um bom momento no emprego a tendência é comparar tudo que a atual colocação tem de ruim com tudo que a outra supostamente terá de bom. A grama do vizinho é sempre mais verde”, alerta o diretor-executivo da Michael Page no Brasil, Augusto Puliti.

 

Para Cesar Rego, da Hays, é preciso prestar atenção também porque muitas vezes o empregado não tem muito claro o que o incomoda no emprego. “Cerca de 90% dos profissionais que nos procuram estão insatisfeitos nos seus empregos. E investigando as causas disso, vemos que na imensa maioria dos casos o problema não está na atividade ou função e sim na relação com o chefe imediato. Um gestor que não é admirado, considerado competente ou respeitado estimula a rotatividade” finaliza.

Fonte: Gazeta do povo - Economia

Veja a matéria copleta em: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=1290500&tit=Troca-de-emprego-bate-recorde


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